SEM DOR DE CABEÇA NA QUEBRADEIRA

Ser uma referência em jornalismo no norte e nordeste é apenas o começo. O mundo nos aguarda

Por Amanda Araújo
Michelle Custódio fez o projeto de decoração com o imóvel ainda na planta (FOTO: TATIANA FORTES)

Há quem precise reparar vazamentos e tubulações, mas em geral, morar com mais conforto e beleza é o que es-pera quem resolve encarar a "temida" reforma. Com isso, a busca pela resiciência dos sonhos passa por planejamento financeiro e psicológico, mas ainda deve atender às regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Transformações grandes exigem mais tempo e até retirada de toda glamília e objetos do imóvel.  

A arquiteta Claryanne Aguiar explica que a permanência dos moradorns até é possível em reformas simples, mas na maioria das vezes todos devem sair de casa por pelo menos uma semana. "Muitas vezes, o cliente contrata o arquiteto quando o imóvel está na planta, a gente faz o projeto, ele entrega para a construtora, e ela coloca o piso escolhido pela gente, deixa os pontos de iluminação já de acordo com o que foi determinado. Se ele colocou o granito basiquinho, já entrega com o mármore, aí (o cliente) dá só a diferença de valor e não perde tempo, não tem custo de quebra-quebra'.  

Foi mais ou menos assim com a advogada Michelle Custódio, 44, após a compra do apartamento no Guararapes. Antes, ela morava com o marido e os dois filhos em um imóvel alugado. "Eu já conhecia os projetos da Claryanne e entrei em contato. A gente quis um projeto mais moderno, com praticidade para o dia a dia. Saiu exatamente como a gente planejou", descreve.  

Quando o imóvel está na planta, a gente faz o projeto, ele entrega para a construtora

   

Os móveis foram feitos sob medida e cada quarto da casa de Michelle possui as características dos integrantes da família. "A nossa sala é integrada com a varanda gourmet, fica bem agradável para receber amigos, tem a churrasqueira, é o local preferido", acrescenta.    

Só este ano, 87 alvarás para reformas em empreendimentos com o acréscimo de até 40 m2 de construção, sem demolição de paredes ou de elementos estruturais, foram aprovados pelas Secretarias Regionais da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Além disso, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) emitiu no mesmo período oito autorizações para Acréscimo e Reforma (quando é necessário algum tipo de demolição durante a reforma ou o acréscimo for superior a 40 m2). Em 2017, foram processadas pelas secretarias regionais 257 autorizações para reformas na capital cearense, e a Seuma aprovou sete Autorizações para Acréscimo e Reforma.    

[SAIBAMAIS]Leandro Vasconcelos Mendes, supervisor de assistência técnica da construtora Magis, ressalta a necessidade de apresentar, durante reformas de apartamentos, Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) feita por um engenheiro ou Regularização de Responsabilidade Técnica (RRT) feita por um arquiteto. "Reforma em casa não tem implicância para o vizinho, mas para reforma de apartamento temos a NBR 16.280 que diz o caminho do que pode e não pode fazer. Todo síndico tem a cópia e pode pedir ART ou RRT (do condômino)", aponta.    

Segundo Leandro, os proprietários precisam ter cuidado com alterações em pilares, vigas e lajes, pois a solidez do edifício depende disso. "A questão das tubulações, tem que entender que aquela que passa pela minha parede interliga todos os andares, não posso interromper o fluxo. Outro cuidado é com a troca de revestimento e cerâmica, cuidado para não danificar se aquele piso tiver uma área de impermeabilização', completa.    

Cuidados necessários

Raphael Fontoura, diretor da Adconce, destaca a possibilidade de multa, embargo e responsabilização civil e criminal em caso de reformas irregulares. "Tudo que não é feito conforme a lei, (o indivíduo) pode ser responsabilizado, tanto o morador, o engenheiro ou arquiteto que estiver executando, quanto o próprio condomínio pelos danos que venham a ser causados em decorrência de qualquer problema".    

Descobrir a mudança

Dias, semanas e meses de reforma podem afetar completamente a rotina familiar. Não é difícil abalar estruturas emocionais em situação de sujeira e bagunça, por isso a psicóloga Felícia R. dos Santos sugere flexibilidade. "O lugar que você mora tem memória afe-tiva, às vezes é um quarto que a pessoa ocupa desde que é bebê. Mexer nesses afetos causa certo desconforto, certa insegurança, porque está relacionado à história de vida dela", avalia.

A psicóloga destaca exemplos, como o de crianças com autismo, em que não é recomendada a mudança de rotina e até do lugar de móveis. Ser to-lerante com o que não saiu exatamen-te como o planejado é essencial, mas também estar em dia com o que ela define como "'fundo monetário inte-rior". "Mudar é bom, mudar é necessá-rio, quando planejada, a reforma pode afetar o processo criativo da criança, da família, ressuscitar esse relaciona-mento. A reforma planejada pode pro-mover bem-estar e qualidade de vida muito melhor".   

ABC DA REFORMA

1

Separe o dinheiro (valor do projeto e dos materiais, a quantia dos profissionais);  

2

Defina as necessidade e as prioridades dos ambientes;  

3

Planeje a mudança (onde a familia ficará ou prazo estimado para entrega);  

4

Estabeleça o cronograma da obra, com horário de chegada e de saída dos funcionários; 

5

Evite divergências entre os integrantes da famflia na frente dos arquitetos e demais

profissionais.    

MULTIMÍDIA

Acesse o catálogo de serviços da Prefeitura para mais informações sobre autorização de reformas em https//bit. 1y/21YHcCS  

 

A PARTE QUE CABE (EM DINHEIRO)

O desejo de reparo ou de mudança do imóvel deve ser preciso e caber den-tro do bolso, como informa a arquiteta Claryanne. A primeira pergunta a se fa-zer é: qual orçamento eu tenho? Nada de quebrar paredes sem um roteiro minucioso de gastos com material, projeto e funcionários. "A gente tem que colocar em prática o que eles (clientes) imaginam e ter em mente, não é só ter inspiração, é conseguir materializar o que eles sonham", define ela.

Em andamento, a reforma do apar-tamento novo do advogado Drauzio Li-nhares, 39, gira em torno de R$ 200 mil. Ele vai em breve para o imóvel em fren-te ao anterior com a mulher e os três filhos pequenos - de 7 anos, 4 anos e dez meses. A opção de mudar tem a ver com a busca por mais espaço: a família sai de um apartamento de 130m2 para um de 240 m2. "A previsão de mudança é para o começo de agosto, a reforma começou há 15 dias. Realmente é um tempo curto, porque nós vendemos o antigo e temos prazo para entregá-lo, contratamos mais gente", relata.

DENTRO DA LEI

Qualquer tipo de obra exige a apresentação de ART ou RRT, como mencionado anteriormente, mas o que poucos sabem é que a falta dessa documentação pode acar-retar responsabilização civil e criminal. "O Conselho Regional de Engenharia exige, aquilo vai dar toda legalidade e transforma o en-genheiro ou arquiteto em respon-sável pelo fato", explica Raphael Fontoura, advogado e diretor finan-ceiro da Associação das Adminis-tradoras e Condomínios do Estado do Ceará (Adconce).  

O morador pode mostrar ao síndico ou à administradora o projeto, pois o condomínio tem a obrigação de vali-dar a reforma quando há troca de fia-Ção elétrica, piso, gesso. A exceção são as pinturas de paredes, por exemplo. "O ideal é receber o projeto e mandar para um engenheiro ou arquiteto de confiança do condomínio avaliar. Tudo é feito para garantir a segurança". 

GARIMPO HOUSE

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Por Autor legal
(Foto Reprodução)

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(Foto Reprodução)
 

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(Foto Reprodução)
 

QUADRO YOU'LL FLOAT TOO

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REBOOT COMIC STORE (Av. 13 de Maio, 2072 -

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(Foto Reprodução)
 

BEZEL MESA LATERAL

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Largura: 50 cm

Profundidade: 50 cm

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Loja: Tok & Stok 

SALA DE JANTAR E ESTAR  

Novo de novo

A arquiteta Tatiana Medina (@arqtatianamedina) criou um projeto com móveis grandes em cores cla-ras, pitadas de cores vibrantes em adornos, almofa-das e móveis menores para um jovem casal que gos-ta de receber amigos e familiares.

(FOTO ARQUIVO PESSOAL)
  

COMO ESCOLHER SEU COLCHÃO?

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Essa é uma decisão bastante pessoal. Tem quem prefira os mais macios, outros os mais firmes. “Pessoas que têm problemas de coluna precisam de um colchão ortopédico, que são mais rígidos. Tem gente que prefere colchão mais maleável, que é que nem colchão de hotel, que é bom por dois ou três dias, mas que pode te causar dores se for no dia a dia”, ressalta o arquiteto Felipe Costa. Atualmente, existem três tipos de colchões, o padrão, o queen e o king. “A gente tem que ver a proporção do espaço. Pode tomar o espaço de circulação, o espaço de armário”, adverte Felipe. O tamanho mais recomendado pelo arquiteto é o queen.  

Curiosidade  

As suspeitas do colchão do hotel ter sido a causa das dores que tiraram o lateral-esquerdo Marcelo do jogo contra a Sérvia motivaram o grupo de torcedores, conhecido como Segue o Hexa, e o engenheiro de produtos da empresa a levarem um novo colchão Zissou para o atleta na Rússia.  

Como incorporar o mapa múndi no quarto?  

O espírito aventureiro de muitos pode refletir nas paredes do quarto, o cantinho que retrata mais a nossa personalidade. O mapa múndi é um grande inspirador de quem gosta de viajar e ele pode ser representado de várias maneiras. “A gente pode estar fazendo uma pintura, um grafite, pode estar personalizando um papel de parede, fazendo uma aplicação ou até emoldurando um  mapa original e estar criando esse efeito que o cliente quer”, sugere Felipe Costa.  

Quais as vantagens e as desvantagens do chuveiro de teto?  

O chuveiro de teto tem conquistado o banheiro de muitas pessoas, principalmente, os recém-modelados. Segundo o arquiteto Felipe Costa, a vantagem seria puramente estética. “Algumas linhas de chuveiro vem com essa proposta da tubulação vir por cima. A desvantagem é que a manutenção é um pouco mais complicada. Quando o chuveiro é de parede, ele é ligado a um shaft. Com o chuveiro de teto, eu teria que fazer o deslocamento desse shaft. Talvez você tenha que quebrar mais coisa para fazer essa manutenção”, explica. Assim, o tradicional chuveiro de parede ganha em praticidade na manutenção.  

O que fazer depois que remover um papel de parede?

Primeiro, para aplicar um papel de parede, é preciso que a parede seja emassada, lixada e selada. O selador serve para isolar a parede do papel para que não passe umidade. “Normalmente, é difícil ele sair inteirinho, tem que raspar tudo para não sobrar nada. Tem que lixar para tirar o selador, dependendo de como ficar, pode ser que tenha que passar massa acrílica. Se na hora de tirar o papel ficar um buraco, tem que tapar. Se tirar bem lisinho, pode só lixar e pintar”, analisa a arquiteta Luciana Mota. 


COMPARTILHAR O FUTURO

Futurista, Lala Deheinzelin discute cenários para o segmento de imóveis

Por Amanda Araújo
Lala Deheinzelin convida ao futuro e reflete sobre o melhor uso do tempo, acima de tudo (FOTO: TATIANA FORTES)

Desenvolver boas práticas não dá trabalho. Ao contrário, a aplicação de tecnologias sustentáveis de reuso de água, de energia limpa e de reaproveitamento de materiais pode levar os negócios longe. Só falta conhecimento, na opinião da futurista e especialista em

Economia Criativa e Colaborativa Lala Deheinzelin. Em Fortaleza para o lançamento do manifesto socioambiental do grupo JCPM, Juntos pelo Planeta, eló çonversou com O POVO sobre inovação na indústria e no mercado imobiliário. 

Lala é uma futurista de "carteirinha" desde a década de 1990, quando tornou-se a primeira brasileira associada à World Future Society. Com atuação no teatro, na dança e na publicidade, ela criou a Fluxonomia 41), um conjunto de metodologias ligadas às economias criativa, compartilhada, colaborativa e multimoedas. 

Para ela, é preciso difundir a idei de que negócios sustentáveis são, sim, muito lucrativos a longo prazo. Em condomínios, é possível partilha novas formas de morar e economizar recursos a partir de Fab Labs (laboratório de fábrica, em tradução livre).   

OP - Em um futuro sustentável, qual o papel da indústria imobiliária. O segmento por muitos anos foi considerado vilão por destruir árvores... Como enxerga esse cenário?  

Lala Deheinzelin - Eu acho que nós estamos dentro de um exemplo do que pode ser, porque aqui [no shopping RioMar] o que que aconteceu. Você tinha uma área, pelo que eu vi, era uma área subutilizada, onde não tinha moradia, desvalorizada, não tinha nada. O fato de fazer uma construção que simplifica tanto a vida das pessoas acaba mudando o entorno. Se, além do mais, você usa o teu construir como um elemento de, ao invés de ser um ataque ao entorno, ser um processo de fortalecimento do entorno, aí você resolve vários problemas de uma vez só. Eu acho que isso que você falou de ser o vilão, o vilão não é o que, é o como, então você pode ser o herói ou o vilão, dependendo de que tipo de escolha você faz. Então, a Lúcia [Pontes, diretora do Instituto JCPM], estava me contando, por exemplo, que teve momento que tinham seis mil pessoas trabalhando aqui, dessas seis mil, boa parte veio do entorno sendo capacitada para trabalhar tanto na construção civil, depois na parte de varejo e tal. Se você combina o teu processo de construção com outros processos de educação, de preparação, de trabalhar com questões ambientais, porque eles são um exemplo, o grupo RioMar, a utilização de recurso hídrico etc, faz o contrário. Transforma o projeto em um ativador de desenvolvimento e não em alguma coisa que atrapalha o desenvolvimento, então a questão não o que, é o como. Este como, a chave dele é pensar para além do lucro, claro, você tem que ter lucro, mas você terá lucro se você incluir no teu processo, pensar como é que aquilo que você faz vai fazer bem para o teu cliente. Também se você consegue pensar junto com o teu cliente, tem umas coisas muito fascinantes do mercado imobiliário que tem assim, week construção, onde você senta junto. Um exemplo que eu gosto muito é de Medellín, na Colômbia. Medellín passou 15 anos de cartel da droga à cidade mais inovadora do mundo, e a agência de urbanismo de Medellín, o que ela faz antes de qualquer construção, faz o que eles chamam de urbanismo cívico pedagógico. Eles vão lá ver o que é que a comunidade deseja, então você faz um trabalho prévio, tudo é uma questão de planejamento, a questão não é o construir, é como.   

OP - Quais os tipos de hábitos sustentáveis serão exigidos deste mercado no futuro?  

Lala - Água, gestão hídrica, com certeza. Eu acho que toda a questão de energia limpa também, a gente tem um exemplo aqui. Você destinar os seus resíduos e fazer com que esses resíduos gerem renda para outros, você trabalhar com a questão da água, da redução de consumo energético, de tudo aquilo que é verde também. Eu não conheço ainda a unidade de Salvador, mas eu quero conhecer, que tem um telhado verde com horta que alimenta os restaurantes. Quando você consegue fazer uma coisa circular, eu tenho impressão que esse circular vai ser meio obrigatório, você vai ter que se responsabilizar por garantir que o que você consome de água vai repor com coleta, o que você consome de energia vai repor com energia renovável, essas coisas. Eu tenho a impressão também que a gente vai ter como futuro uma obrigação também de pensar sustentabilidade não apenas do ponto de vista ambiental. A relação de uma construção com o entorno, com certeza, isso também vai entrar porque ela tem o poder de desativar, de gendrificar um espaço ou de torná-lo um espaço melhor, com uma comunidade melhor, eu acho que isso vai ser imprescindível.   

OP - De que maneira a indústria pode encontrar na sustentabilidade um caminho lucrativo para os negócios e planeta?

Lala - A gente tende a separar essas duas coisas, mas pensa o seguinte, o teu negócio só vai ser durável. Ser sustentável, antes de mais nada, quer dizer que existe, existe o planeta, existe água, e existe o negócio. É impressionante como negócios muito sólidos morrem, se você olhar a lista dos “500 mais” que estavam na lista da Fortune em 2000, em 2014, 56% já não estavam mais lá, 56% das empresas em 14 anos saíram da lista.   

OP - Quais foram os erros delas?

Lala - Não perceber o tempo, por exemplo, é impossível no século XXI você ter um negócio e não pensar que esse negócio tem que cuidar “de”.  Não existe o mundo para um lado e os negócios para o outro, os negócios são como se fossem o tecido conjuntivo do mundo. Os negócios precisam dar lucro sim, mas não apenas. Se você tem um negócio que dá retorno, não apenas financeiro, mas dá retorno cultural porque torna a vida das pessoas melhor, porque circula informação, porque deixa as pessoas mais seguras, mais confiantes etc, você tem um negócio que trabalha com o ambiente de uma forma melhor, se você tem um negócio que permite que as pessoas possam convergir suas energias, tempo e dinheiro para o bem comum, esse negócio vai durar. Então, eu imagino por exemplo que daqui a um tempo, na concorrência entre shoppings, os que têm políticas muito consistentes como o grupo RioMar vão estar na frente, porque é outra relação. Se você tem, como me relataram, dos funcionários que estão dentro do shopping teve gente que veio da comunidade do entorno e durante a construção foi sendo capacitada e está trabalhando, esse funcionário tem uma fidelidade, ele tem uma dedicação, tem um amor ao que ele está fazendo, e isso é impagável. Completamente diferente de quem está ali por acaso e “amanhã eu vou para qualquer lugar”, todas essas coisas acabam gerando outros tipos de valor, que são os valores que garantem o valor final do teu negócio e a longevidade do teu negócio. Eu falei há pouco tempo no Seconci, encontro da construção civil, uma das coisas, quando você olha no setor da construção civil, um dos grandes drenos de dinheiro é litígios, consome trilhões, trilhões. Se você tem ações no entorno, você não apenas não tem litígio como tem a comunidade cuidando do teu empreendimento, isso representa uma economia de dinheiro extraordinária. A gente precisa mudar a maneira como faz conta, a conta não é apenas resultado de venda, se você vai contabilizando todas essas coisas, você acaba vendo que é um excelente negócio, a questão é só que a gente tem ainda poucas métricas para isso.   

OP - Como o Brasil está em relação à sustentabilidade nesse segmento imobiliário esperada para o futuro?

Lala - Eu acho que em geral a gente tem, isso acontece em todas as áreas, nós temos um potencial extraordinário, mas estamos aquém por falta de regulamentação. O Estado não faz o seu papel nem de incentivar nem de regular e tal, isso torna muito difícil, porque também a gente está vivendo uma transição de modelo e são empresas em geral mais antigas, familiares etc, onde você vê às vezes um conflito geracional. Quem criou a empresa tem uma visão, e os filhos têm uma visão de querer modernizar e fica no embate. É um setor que precisa muito apertar no refresh, precisa de futuristas, compreender o presente, porque tem oportunidades que são extraordinárias. O Japão, por exemplo, tem das coisas que eu acho mais inteligente do setor imobiliário: eles estão construindo menos e reaproveitando mais nas grandes cidades. Aqui o que a gente faz? A gente abandona, a gente tem um problema de muita abundância, e a mesma coisa que a gente faz com a natureza, “Ah, tem muito”. Se tem um bairro que está ruim, abandona o bairro e vai fazer outro bairro, o que é uma coisa que na Europa, imagina, não tem como. Primeiro, porque é desse “tamanhico” e porque tem toda uma relação com a história, o Japão está vendo quais são imóveis que foram abandonados, que têm litígio familiar, que estão em alguma situação. Estão trabalhando esses imóveis, isso faz muito mais sentido, porque você usa tua expertise do setor sem todo o risco e o investimento extraordinário de tempo, de dinheiro e de insustentabilidade ambiental de construir uma coisa supondo que as pessoas vão desejar. Isso por exemplo é uma coisa que não faz sentido no século XXI, faz muito mais sentido você reaproveitar, adaptar aquilo que já existe, isso geraria inclusive muito mais riqueza, porque precisa menos tempo, menos investimento e menos risco. Vai ter menos retorno em quantidade, mas vai ter muito retorno de lucro, porque teu investimento vai ser muito menor, portanto, o lucro que poderia ter em cada coisa pode ser muito maior, vai ser bom para todo mundo. Nos centros da cidade tem uma quantidade de edificações abandonadas que é imensa, e você tem todas as populações morando fora, o que faz da vida delas um inferno e do trânsito um inferno. É muito mais legal você dizer, vamos dar um trato no miolo em vez de ir indo para fora, falta uma visão mesmo, mas é o setor (imobiliário), sempre foi, historicamente, o setor que promove desenvolvimento, em torno dele todo o resto se aglutina, é um catalisador.  

OP - Você pode citar pelo menos três práticas realizadas por construtoras como soluções positivas e atuais? 

Lala - Como empreendimento, fico encantada, por isso estou muito feliz, é a segunda vez que eu estou participando aqui no Riomar, porque dos projetos que eu conheço é um dos mais completos. Todas as construções são pensadas para serem sustentáveis desde o início, não é uma adaptação, você desenha para isso. Depois eles têm um processo super interessante porque eles vão, cada novo empreendimento aprende com os acertos e os erros dos anteriores. Eles mantém os mesmos fornecedores etc para ir fazendo gerações cada vez melhores, eles têm todo esse processo com o entorno. O RioMar para mim, como pensamento de empreendimento, é um dos mais complexos que eu conheço. Conheço um empreendimento que está começando na Bahia, em Lauro de Freitas, porque está sendo pensado de fazer habitação popular com toda questão de alta tecnologia, internet das redes, é um processo de cocriação.  O Seconci está fazendo coisas muito lindas, estão desenhando ferramentas para acompanhar a construtora para que possa fazer um projeto sustentável. Mesmo a MRV, essa coisa da redução de litígios, porque faz uma ação com o entorno, é um dado deles.  

OP - Falar em empreendimentos verdes convence pouco?

Lala - Eu acho que é mais marqueteiro, porque acaba assim, você não tem nenhuma relação com o teu entorno, você tem um monte de coisas que não são sustentáveis de uma forma 360º, mas você tem um teto verde e tal, ou então pega duas, três práticas e diz: “Ah, eu sou verde”. Não, ser verde é pensar sistemicamente e de forma integrada, por isso que o projeto do RioMar eu acho tão fascinante, eles pensam de forma muito integral.   

OP -  Pensando que toda casa e empresa tem pessoas, qual o papel individual de cada um para uma rotina sustentável? O que você acredita que é básico nesse contexto do morar? 

Lala - Você tocou na grande chave, porque daria para fazer tudo se a gente se juntasse, e o problema é que a gente não se junta. Você conseguir em um prédio fazer coleta seletiva, só isso já é um trampo, ai você já imaginou tudo que daria para fazer se em um prédio desse para, por exemplo, juntar as ferramentas de todo mundo,  fazer um Fab Lab do prédio. A criançada que está ali abandonada, só vendo TV, e o tiozinho aposentado que está ali abandonado, só vendo TV, podiam estar num Fab Lab do prédio trabalhando juntos. Isso tudo é perfeitamente possível se simplesmente juntasse tudo aquilo que já tem, você imagina, um dos maiores problemas que a gente tem hoje é de solidão, a gente construiu uma vida absurda, e do crescimento populacional de idosos. Imagina que legal tudo que daria para fazer se os empreendimentos fossem pensados para isso ou se as próprias iniciativas. Isso deveria ser uma coisa de gestão condominial, quem tem velhinho sozinho aqui? Vamos cuidar dos velhinhos todos juntos, ou compras, cada um vai ao supermercado. Imagina que legal se em um prédio tivesse um sistema, quem está precisando de quê e fizesse compras coletivas, ficaria mais barato e tal. A nossa parte é começar a fazer junto alguma coisa, horta coletiva, reciclagem, reuso de água, qualquer coisa, mas a gente tem uma cultura do fazer sozinho. Os empreendimentos podem ajudar se eles incorporarem isso.  

OP -  Ao longo do tempo, de que maneira esse conceito de sustentabilidade vem sendo transformado? 

Lala - A gente começa com uma visão urgente que era a questão da sustentabilidade ambiental, aos poucos isso foi se revelando multidimensional, porque não consegue trabalhar com o ambiente sem fazer a etapa anterior que é a mudança de mentalidade. O grande problema da sustentabilidade é que foi trabalhar com o tripé [social, ambiental e financeiro], e faltou a quarta perna que é o cultural, que é a base de tudo, a parte da comunicação, da mudança de mentalidade, do conhecimento. Sem isso você não consegue trabalhar, a ideia é que ser sustentável é tomar banho no escuro, no frio e de canequinha. Quem quer? Ninguém, então não funciona, tem que ter uma comunicação para dizer “Não gente, sustentabilidade pode ser você ter o Fab Lab do prédio”, “Olha que legal, sustentabilidade é super legal, vai te levar para lugares muito mais interessantes”. Foi ampliando esse caminho que começa a sustentabilidade financeira, aí diz: “Bom, mas não adianta eu ser sustentável financeiramente se eu não estou cuidando da sociedade”, então inclui o social. Bom, mas não adianta eu pensar no social se eu não penso no ambiental, e não adianta eu pensar no ambiental se eu não penso no cultural. Acaba que é isso aqui, uma coisa das quatro dimensões simultaneamente. A gente sabe mais da sustentabilidade financeira e ambiental, mas por exemplo ainda se pensa muito pouco em sustentabilidade financeira como economia de tempo. A gente estava aqui conversando sobre o que era um shopping, um shopping é um enorme economizador de tempo. Isso, aliás é uma das coisas, as cidades antes eram desenhadas para o espaço, qualidade, isso é super importante para o setor imobiliário, a gente não está mais no momento que qualidade de vida é espaço, qualidade de vida é tempo. Aquilo que era dos anos 1970, 1980, que você ia para fora das cidades com um monte de espaço e tal, hoje não é mais qualidade de vida, porque você leva um tempão para chegar no teu paraíso, o teu paraíso te dá um trabalhão e deixa de ser tão paraíso assim. Então, o que que é que pode tornar a vida das pessoas mais fácil, com melhor uso do tempo, e com mais gente próximo, porque ficou todo mundo muito sozinho.  

OP -  Quando a sustentabilidade residencial vai deixar de ser exclusividade das classes mais altas?

Lala - Eu acho que se você pensar em baixa renda, é sustentável na essência, você reaproveita água, espaços, compartilha tudo. Sei lá, as mães vão trabalhar e uma mãe cuida do filho de todo mundo, as pessoas dividem coisas, é mais sustentável [nesse sentido de baixa renda]. O que tem é a parte do meio, acho que você talvez esteja falando disso, do pequeno empresário, do pequeno empreendedor.   

OP -  Às vezes a tecnologia torna-se mais cara porque não tem pessoas qualificadas para implementá-la.

Lala - Por isso a questão cultural é tão importante, porque é mais uma questão de informação. Você fazer ambientes arejados, não depende de você ter um ar condicionado de última geração, porque a gente tem técnicas de construção que são da época da colônia e que é incrível. Se está voltado para não sei onde, o vento que vem de não sei quando, deixa vazado na parte do teto e “parara”, você tem ambientes super frescos sem refrigeração artificial, é mais uma coisa de mindset, uma coisa de mentalidade que de ideia, por isso que precisa comunicar que ser sustentável não custa mais caro.  

OP- A população está de fato mais atenta e querendo consumir imóveis mais sustentáveis?

Lala - Sim, e isso é uma super diferença, esse empreendimento da Bahia que é enorme, eles têm que pensar para frente, tem que pensar o que vai estar valendo daqui a 30 anos, daqui a 30 anos não é porque você vai fazer uma coisa para a população que  pode ser de qualquer maneira, ao contrário, porque todo mundo vai querer. Não vai ter mais isso, se eu faço uma coisa para a classe A, eu tenho que cuidar, se eu faço uma coisa para essa classe C, não. Isso não procede, porque todo mundo está ficando informado e todo mundo está escolhendo. A gente ainda vai ter aí um “periodozinho” de sofrer as consequências da nossa ignorância de querer não pensar em sustentabilidade, mas os que tem 20, os que estão sendo chamados. Tem uma generation, que assim, eu estou fora, são os que já nasceram depois dos anos 2000, são X né, ou Z, acho que Z, são super corretos em qualquer [coisa], tem uma coisa do que é certo, do que é errado, como maioria assim, a gente vai ter que ficar muito esperto, porque tem muito acesso à informação.  

OP- Como a indústria imobiliária deveria construir um discurso em torno da sustentabilidade?

Lala - Eu acho que a primeira coisa que falta é perceber que não é benemerência, é a alma do negócio, a longevidade do negócio, e dá dinheiro. Você não vai conseguir fazer do teu negócio um negócio longevo se você não pensar nisso. Não é “Ah, vou ser bonzinho e eu vou ser sustentável”. Não, você vai ter um negócio que sobrevive e que dá lucro se você for sustentável. Essa ampliação da noção de sustentabilidade, isso sobretudo de ver o que é que interessa para o outro, e não para você, porque isso também é uma coisa. As novas gerações são muito menos suscetíveis a publicidade e à mídia de massa. Não adianta você inventar uma coisa e dizer “Ah, aqui você vai ser muito feliz”, ele vai dizer: “Oi?”. Isso já está claro, dá pra ver a quantidade de empreendimentos fantasma na China, em todos esses lugares, na Europa, que constroem megaempreendimentos supondo que serão desejados pelas pessoas e não. A chave para isso é cocriar com o seu público. A outra coisa que é interessante de pensar: imagina que a gente está vivendo uma mudança de modelo político. Daqui a pouco, nós vamos estar em uma cogestão, porque as cidades, não dá mais para não ser uma gestão local, um prefeito não tem como saber o que acontece em cada bairro. Então, o gestor central da cidade vai ser um articulador dos gestores locais, o teu cliente e o teu regulador vão ser o público. Quem vai definir regras, regulamentar etc vai ser o público, o coletivo, a sociedade, então você tem que servir a sociedade porque ela vai ser o patrão, digamos assim, não é uma palavra boa, está me fugindo qual a palavra. Todos nós estaremos trabalhando para algo maior que é a sociedade.   

OP - Quando você se percebeu futurista?

Lala- Eu entrei pela primeira vez na World Future Society em 1996, teve um encontro, que teve um monte de gente, eu não sabia que existia isso de ser futurista, e aí que mudou minha vida. Porque eu falei: “Gente, é um monte de gente pensando como é que as coisas poderiam ser”, aí eu notei que esse sempre foi o meu interesse na vida. Eu me tornei membro dessa sociedade em 1996, mas de alma, eu acho que foi [bem antes], eu na origem sou artista, né. O artista e o futurista têm algo em comum, eles percebem antes o desejo da sociedade e veem como é que dá para materializar. Acho que o que me fez assumir mesmo isso foi perceber isso, que o mundo é aquilo que a gente cria, aquilo que a gente deseja, aquilo que a gente comunica. Então, vamos criar, desejar, comunicar um mundo positivo e possível. A coisa que me encanta é ver que já tem conhecimento, pessoas e recursos para fazer tudo que a gente deseja, a questão é que a gente não sabe que dá, por isso não faz. Não tem mocinhos e bandidos, tem falta de informação, mas onde há informação, e onde há experiência com novas práticas, a experiência mostra o resultado. Você pode começar dizendo assim: “Hum, será que isso daí não vai me dar um trabalhão e não vai dar resultado?”. Mas, na hora que você começa a aplicar, você vê que os resultados são incríveis, empresários são pragmáticos e têm que ser. Então, vai lá, experimenta fazer diferente, vê como aumenta muito, a gente tem resultados muito interessantes assim, de 40% de otimização de recurso de tempo, de conhecimento, de equipe. Isso faz muita diferença.   

Para navegar

Saiba mais sobre Fluxonomia 4D em https//bit. 1y/2KGnJFS

 

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Telas de proteção garantem segurança principalmente para crianças e pets

 As malhas de polietileno são cada vez mais instaladas em imóveis comerciais ou residenciais para garantir a segurança, principalmente, das crianças, dos idosos e dos pets.  

Os modelos com abertura de scmx-scm e resistência de até 500 kg por m são ideais, três anos de garantia e durabilidade de até cinco anos, segundo a norma da ABNT", alerta João Gabriel Maia Costa, proprietário da Preventiva.  

A diferença das redes de proteção das esportivas, aplicadas em traves de futebol ou piscinas, é a abertura entre os nós - locmx_locm. "Não indicamos, porque a criança já consegue colocar a mão, podem entrar pombos, morcegos", avalia João Gabriel.  

A média para instalação a parti de 15m2 , é de R$ so (por m2) com gancho galvanizado e de R$ 35 (por gn2) com gancho de aço inoxidável, explica Fernando Abreu da Multire-des Fortaleza. 

CUIDADOS NO DIA A DIA

• Evite manipular fogo perto das redes

• Não usar produtos químicos corrosivos na limpeza, podem desintegrar os fios:

• Não cortar nenhum pedaço da corda;

• Não tentar remover a corda dos ganchos para limpar janelas;  

DICAS SOBRE A REDE

1. Cheque sobre a empresa antes de receber o profissional em sua casa. Conhecer a empresa que fará a instalação e manutenção nas redes de proteção é necessário para assegurar garantias de qualidade e suporte.  

2. Acompanhe a instalação. O ideal é que a rede não seja tensionada excessivamente. Isso exige mais dos pontos de fixação e do material da rede. Pouca tensão também pode ser um problema. A malha folgada torna a rede mais vulnerável.  

3. Há quem diga que as melhores redes são de Polietileno ou Poliamida, com nylon em sua composição. A resistência dessas telas chega a 500kg.   

4. Ao adquirir um produto confira se o material da rede possui ISO. A produção, instalação e qualidade das telas de proteção é regulamentada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio da NR 16046:2012.  

5. Embora seja mais caro, o gancho de inox é ideal para o clima da capital cearense, devido aos raios solares e à maresa.  

6. Especialistas indicam a revisão das telas a cada ano. 

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Reforma e Construção

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