ESPECIAL CRIANÇA

Crescimento saudável

A maneira como os pais lidam com o desenvolvimento emocional e social infantil é definitiva para o futuro da criança. Confira a partir da visão de especialistas formas de lidar com o crescimento do seu pequeno

“Segundo Jack Shonkoff, diretor do Centro para o Desenvolvimento Infantil de Harvard, crianças com experiências adversas significativas, que vivem situações de extrema pobreza, negligência ou abuso, chegam em grande desvantagem à vida adulta, comparadas às crianças que tiveram dos pais respostas adequadas às suas necessidades emocionais e fisiológicas. Tem sido constatado que a arquitetura cerebral sofre prejuízos graves nas crianças que não vivem uma relação segura com seus responsáveis”, explica a psicóloga Elisa Parente.

Dentro dessa realidade, o amadurecimento saudável tem uma relevância definitiva ao futuro e à saúde da criança. “Os pais precisam supor que há um pequeno sujeito que se comunica, que precisa que alguém fale com ele, que leia e lhe conte histórias, que nomeie os objetos e as emoções, que faça associações sobre as coisas do mundo, que fale de amor e de limites”, coloca Elisa.

Orientando com amor
Os pais, antes mesmo da escola, são os maiores responsáveis pela educação do filho. Por isso, Maria Leonilda Faheira, autora do livro Como criar seu filho para o sucesso, fala sobre a maneira mais correta de orientar a criança. “Os pais devem cuidar do seu bebê com prazer, ensinar as tarefas básicas e deixá-lo consciente de que é amado.”

Evite dizer que a criança está fazendo errado, procure apenas guiá-la para que chegue ao resultado esperado.

Maria FaheiraAutora do livro 'Como criar seu filho para o sucesso'

Na hora de ensinar a criança qualquer atividade, a educadora alerta: “Você deve liderar, orientar e auxiliar. Evite dizer que a criança está fazendo errado, procure apenas guiá-la para que chegue ao resultado esperado. Além de tudo, você precisa ensinar o seu filho com boa vontade, porque a criança precisa disso para encorajá-la”.

Limites
Outra questão de destaque sobre o desenvolvimento infantil são os limites que precisam ser estabelecidos para que seja possível um convívio social saudável. “À medida do crescimento da criança, há a necessidade que seus pais tenham diferentes reações ao seu choro. Torna-se necessário o estabelecimento de limites de forma mais clara, visto que uma importante habilidade social é a autorregulação, capacidade que a criança desenvolve de pensar antes de agir e de adaptar seu comportamento à situação. Quando as crianças têm pais que se esforçam para explicar-lhes as regras, facilita à criança a aceitação dos limites, a cooperação e a receptividade”, acrescenta Elisa.

A educação certa

O colégio exerce o papel de desenvolver o conhecimento social, crítico e moral da criança, além de prepará-la para os desafios do futuro. Conheça aspectos que tornam um ensino de qualidade

De acordo com Sandra Pinheiro, psicóloga escolar do Colégio Topo Gigio, “o ensino de qualidade é o que pode desenvolver os âmbitos cognitivo, social, psicomotor, artístico, crítico, moral e emocional”. Estes pontos que devem ser explorados na escola, ”através de brincadeiras e atividades lúdicas no ensino infantil, amplificam a consciência do coletivo, o reconhecimento de espaço, cores, imagens e também raciocínio logico”, conta Tereza Christina, diretora do Colégio ADM.

o ensino de qualidade é o que pode desenvolver os âmbitos cognitivo, social, psicomotor, artístico, crítico, moral e emocional

Sandra PinheiroPsicóloga escolar do Colégio Topo Gigio

Preparando para a vida adulta
Como a escola é um lugar de preparação das crianças para o futuro, cobranças no trabalho, convívio social e com o meio ambiente, Sandra Pinheiro explica como tudo isso é trabalhado dentro do meio escolar: “Reconhecendo o potencial do aluno e colocando ele como centro do processo de ensino-aprendizagem e o professor, um facilitador, além de considerar e integrar a família como construtora dos alicerces básicos e grande parceira da escola”.

Em relação ao com convívio social e com o meio ambiente, a pedagoga do colégio Topo Gigio esclarece: “Depois da família, a escola é o segundo local onde a criança se relaciona com pessoas, permitindo a ela desenvolver habilidades de convivência, integração, bons hábitos, conceitos morais e sociais, assim como o respeito à vida”. Temas globais, como biodiversidade, sustentabilidade e preservação do meio ambiente, devem ser discutidos desde cedo para gerar consciência ambiental.

Metodologia Antes de colocar a criança na escola é importante que os pais estejam conscientes da metodologia da instituição, que condiz com as etapas a seguir num determinado processo de ensino, para que seja correspondente com a educação encontrado no ambiente familiar. Por isso, confira alguns das metodologias mais utilizadas nas escolas brasileiras:

Freireana Criada a partir das ideias do brasileiro Paulo Freire, a base dessa pedagogia é o diálogo entre estudante e professor, e os aspectos sociais e culturais de quem fala devem ser levados em conta.

Construtivista Parte da ideia de que o saber não é algo concluído, mas sim que está em processo construção. Nesse caso, o estudante constrói o conhecimento a fim de que adquira autonomia. A linha foi idealizada para que não houvesse provas ou testes.

Sociointeracionismo Nessa linha, uma das mais comuns nas escolas brasileiras, o aprendiz constrói conhecimento por meio do convívio social e da interação com outros. O conhecimento do estudante é a base para adquirir novos conhecimentos a partir do próprio saber.

Tradicional O professor é a figura central, que passa conhecimento que deve ser adquiro pelo aluno. Acredita que a formação do estudante depende dos conhecimentos adquiridos, que são apresentados como verdade e sem possibilidade de reação.

Brincadeira é coisa séria

Uma criança que brinca é uma criança saudável. Em função disso, confira os benefícios das brincadeiras e quais delas estimulam o desenvolvimento social e motor dos pequenos

A brincadeira está nos pilares do desenvolvimento infantil saudável. Segundo a psicóloga Inês Falcão, “o ato de brincar para a criança pode desenvolver a sua interação social, a empatia, que é sobre se colocar no lugar do outro, a criatividade, a resolução de conflito e disciplina”.

O ato de brincar para a criança pode desenvolver a sua interação social, a empatia, que é sobre se colocar no lugar do outro, a criatividade, a resolução de conflito e disciplina.

Inês FalcãoPsicóloga escolar

Além de estimular todas essas habilidades, na visão da psicanalista Elisa Parente, as brincadeiras são uma maneira de buscar respostas: “Os pequenos usam esse momento para manifestar seus conflitos e para reproduzir e se apropriar dessa realidade tão confusa que é o ‘mundo dos adultos’”.

Meio online
Apesar de ser uma tendência, a diversão no âmbito online e com auxílio de eletrônicos pode afastar a criança de brincadeiras que estimulam a socialização e o desenvolvimento motor. “A nível virtual, a relação com o outro é mais difícil, não acontece de forma direta, então é importante que a criança seja estimulada a sair desse meio para desenvolver mais as suas relações sociais”, afirma Inês.

Para isso, a psicóloga indica que os pais incentivem seus filhos ao lazer no mundo real. “Os responsáveis podem entrar no mundo das brincadeiras com as crianças, preparando um momento do dia para isso, a fim de ensinar a lidarem com as regras e limites e criar um ambiente familiar de união.”

Estímulos
Sabendo que o momento de lazer da criança tem grande contribuição para o desenvolvimento social e motor, a psicóloga Inês Falcão conta quais das brincadeiras estimulam cada um desses indicadores: “Na parte social, os jogos que lidem com regras, limites e colocações, como de quem ganha e perde, além dos que necessitam de um grupo e de respeito ao espaço e momento do outro. Na parte motora, existem as brincadeiras que estimulam o desenvolvimento motor amplo que são de correr, pular, rolar no chão, se baixar, como esconde-esconde e pega-pega, além das de motor fino, que envolvem lápis, massinha, tinta guache, giz de cera e tampinhas.”

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